segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Jesus de Nazaré - O Deus sem poder...

Não podia deixar de falar nesse período do carpinteiro de Nazaré, do Deus sem poder que revolucionou a história do mundo...


A recente celebração do Natal trouxe-me a mente toda uma mística que envolve o menino Deus, a criança pobre que nasceu numa manjedoura, com o legado de trazer libertação a toda humanidade.

O Grande paradoxo cristão torna-se ensinamento e desafio para todas e todos. A lógica do mercado, da competição, da troca faz-nos, cada vez mais, egoístas e individualistas, apagando em nós a chama sagrada, levando-nos a sermos meros consumidores, de tudo e de todos; pessoas que não conseguem enxergar nada além do seu próprio umbigo.

Estamos envolvidos numa louca corrida em volta de nós mesmos, para lugar nenhum, sem nenhum propósito existencial, como engrenagens de um relógio quebrado sem números nem ponteiros, mas que nunca para de girar, girar e girar...

O mistério do Natal leva-nos a seguir o exemplo do Deus Todo poderoso que abre mão do seu poder, tornando-se um Deus sem nenhum poder diante de um império opressor que tortura e mata seus iguais.

Jesus não nasce em berço de ouro, nasce numa manjedoura, recebe a visita de pastores, pessoas sem nenhum status em sua época, marginalizados. Não nasce em Jerusalém, nasce como criança pobre de uma cidade pobre. O nascimento de Jesus nos desafia a rever todos os nossos valores.

Mesmo nossas preces e orações denunciam a distancia que estamos dos ensinamentos de Jesus e do mistério do Natal. Em nossas orações rogamos pelo Cristo todo poderoso, e pedimos que ele realize todos os nossos desejos.

Enquanto não aprendermos com o Cristo desapoderado que nasceu pobre, que foi assassinado brutalmente pelo império romano, que teve o seu corpo estraçalhado no madeiro que lutou sem armas, sem força e sem poder e venceu o império mais poderoso e hostil q já houve, enquanto não aprendermos o ensinamento central do mistério do Cristo de Deus, seremos meros religiosos, como o levita e o sacerdote da parábola do bom samaritano.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pinto Pequeno

Minha irmã está de férias, 8 anos morando no Rio de Janeiro esqueceu algumas características marcantes de cidades do interior baiano. Ela estranhou quando uns carinhas chegaram em um bar, abriram a mala do carro, totalmente inutilizada por um som, e ligaram o referido na altura máxima. Vale ressaltar que já havia outro camarada a menos de 20 metros com o som do carro ligado numa altura estúpida. Cenário muito comum por aqui. Ela reclamando da zuada ensurdecedora exclamou: Oxeeee pra que isso? Automaticamente respondi: _Cláro que precisa. É pra mostrar o som. _ Mas pra quê isso? _ Pinto pequeno. Foi aí que a expliquei que por aqui os caras que tem pinto pequeno tentam se afirmar de algum outro jeito, como por exemplo mostrar um som grande. Ela riu muito, depois de minutos ela me mostrou que já vinha outro cara q tem pinto pequeno... rsss... Freud explica...

Conversas sobre amor, desprezo e vida...

Mesa de bar, 1 hora da madrugada...
A vida é assim é uma graça, cheia de encanto e beleza, é graciosa. A beleza da vida está em suas constantes transformações, contra-dições. Num dia juras de amor eterno, noutro desprezo.
Cláro que Vínicius estava certo quando declarou amor eterno a todas amantes que esteve com ele... “Que o amor seja eterno enquanto dure”...
Vinicius conhecia bem os movimentos da vida, E era poeta. Os poetas e os profetas conhecem bem a vida, a vida é efêmera, passageira. No texto Sagrado, no Antigo Testamento a vida é uma dádiva da Ruah, do Sopro Santo _a Ruah de Javé _o vento (ar em movimento) é aquele que traz vida que propicia vida, é o principio de vida, o sopro divino, o Vento forte. No texto Sagrado movimento é sinônimo de Vida e Morte é aquilo que está parado, estático.
No mito da criação, o homem era apenas pó da terra, após Deus soprar em suas narinas o pó se enche de vida e se torna “Adan”, que quer dizer humanidade.
Heráclito um filosofo bem antigo, pré-socrático, falava algo parecido. Ele dizia que tudo que existe está em movimento constante. Segundo Heráclito não se entra duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez que entrarmos o rio não será o mesmo, e a pessoa também não será a mesma.
As relações se desfazem porque as pessoas querem ter aquela, pra quem jurou amor eterno, sempre, mas isso é impossível, as pessoas mudam. Por isso a jura de amor eterno sincera permanece sempre sincera, porque a pessoa pra quem vc jurou amor eterno a cinco anos atrás não existe mais, nem ela nem vc são os mesmos. Vc é uma outra pessoa e ela também... É incrível como as pessoas mudam... Ontem eu vi isso! As vezes pra melhor, algumas vezes pra pior... Incrível...
A maneira mais rápida de perder o amor da pessoa que está com você é assegurar que ela jamais te deixará. O tio de um amigo meu sempre me dizia: “o amor é como um pássaro pousado no dedo, vai quando quer”, o amor não é afeito a gaiolas... Prenda-o e o perderá.
Ontem numa tal mesa de bar descobri outra coisa interessante, que ainda tem haver com essa conversa. Na nossa caminhada existencial há ao menos dois tipos de pessoas, às que caminham em direção à vida, que se movimentam para a vida, e aqueles que apenas passam pela vida.
Jovens cheios de vida vendem sua força de trabalho durante toda a semana, para que no final de semana possam ir a um bar beber e enquanto exibem suas ultimas aquisições: carro, som, celulares e algumas vezes namorada ou namorado... As conversas denunciam que há muito tempo abriram mão de pensar, apenas reproduzem os discursos postos, repetidos por todos, variando apenas detalhes. Passam pela vida mas não vivem, não desbravam a vida, não arriscam, deixam que outros decidam por eles, Não são sujeitos de sua caminhada existencial, apenas percorrem o caminho trilhado por todos os outros. Não vivem a vida, morrem a vida, cada dia menos um dia...