sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O NASCIMENTO DE UMA NOVA RELIGIÃO

Uma pergunta assustadora andou me incomodando ultimamente. Qual o papel da religião no Brasil? Não! A questão não é qual a importância, ou seu papel no passado ou mesmo seu potencial. A questão é: Qual o papel social da religião contemporânea hoje? Assusta né?


Muita gente vê a religião de forma positiva, percebe os valores que ela traz para a sociedade. Outros a vêem de forma muito negativa e afirmam que a religião é instrumento de alienação social e nada tem a oferecer.

No seu bairro tem alguma igreja? Se ela sumisse que diferença faria ao Bairro? Algumas igrejas têm feito esta pergunta e à luz das escrituras estão desempenhando um papel importante na sua comunidade. Outras continuam cheias pelo Brasil afora, desenvolvendo intensas atividades religiosas dentro de seus templos durante toda a semana. Enquanto isso aos redores da Santa Igreja; jovens sem empregos, trabalhadores sem terra, crianças violentadas, políticos corruptos. Lá fora a necessidade gritante de justiça, compaixão e solidariedade. Lá dentro cristãos sem amor e sem obras.


Igrejas que não conseguem enxergar NADA além do seu próprio umbigo. Em sua caminhada cega para o “céu” e para a prosperidade, não conseguem ao menos ser cristãos no mundo.


Pensando nisso conversando com uns amigos virtuais (muito tempo atrás), surgiu uma idéia de uma religião que não nos dará muito trabalho para pensar qual o seu papel, pois em sua proposta ela traz isso claramente. Parece um pouco com essas últimas...



O SURGIMENTO DE UMA NOVA RELIGIÃO


Estamos criando uma nova religião, o Nadinismo. Ela comporta uma única divindade, o Nadão, mais nada!
Este ser divino, maravilhoso, unipresente, unisciente, mora no Zero, bem no miolo.
Vocês já devem ter visto Ele nos zeros que têm um pontinho dentro, pois é Ele!!

O Nadão está sempre sentado à mão direita das outras divindades, todas: God, Alá, Tupã, Lula... o pessoal olha e diz: não tem nada lá!! É Ele, gente!!
Para fazer parte do Nadinismo não precisa fazer nada, basta dizer, de si para si: Tô nessa, e depositar R$1 na minha conta.
O depósito dá direito a um certificado (folha em branco) prá pendurar na parede lisa, e um terço com zero contas, para vós irdes rolando nos dedos, quando não estiverdes fazendo nada. Mas tem de ajoelhar.

Até aqui, tudo bem?
Então, por enquanto é só. Garanto que o Nadão não vai fazer nenhum mal a vós, inferno, pecado, nada disso!!
Mas também não vai fazer nenhum bem!
Em compensação, pra mim Ele vai ser bom. Afinal, eu que descobri Ele, tá, gente!! Eu podia estar roubando e assaltando, mas estou aqui honestamente lançando esta maravilha!

Claro que terei uma renda mais substancial do que a q tenho hoje, mas, prevenido, já comprei umas cuecas novas e umas Niilis (nossa bíblia) ocas, para portar e comportar vossos óbulos quando eu estiver em trânsito.

Ide, e não falai nada com ninguém!
Suplico-vos, oreis em silêncio, Nadão vos abençoa! amãe!!!



A Solidão é o meu pior castigo

Tillich sem Barth
Beauvoir sem Sartre
Sou eu assim sem você
Lugar sem entrada
Beijo sem pegada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu quero a todo instante
Seu olhar apaixonante
Vc é o q há melhor em mim

Vida sem tesão
Amor sem paixão
Sou eu assim sem você
Drummond sem a pedrinha
El Niño sem La Niña
Sou eu assim sem você

Tô louco pra te ver Sonhar
Tô louco pra te descobrir
Deitar no teu abraço
Viver nesse espaço
Que sempre faz vc sorrir

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Não sei quando
E se vou te ver
Por que a vida tá de mal comigo
Por quê? Por quê?

Nietzsche sem o Cristo
Religião sem mito
Sou eu assim sem você
Rapunzel sem tranças
A vida sem danças
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu quero a todo instante
Seu olhar apaixonante
Vc é o q há melhor em mim


Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo (2X)
Não sei quando e se vou te ver
Por que a vida tá de mal comigo
Por quê?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Oração de Outono

Tarde escura de outono triste, fria.


O sol gelado, coberto pelas nuvens, não percebe o olhar distante da menina sentada na calçada.


Órfã, pés descalços sem camisa, cabelo desarrumado e sujo.


A menina olha triste para o céu e ora:


Deus perdoa-me! Haverá Deus para mim?


Exala o mau cheiro da alegria, que já pútrida faz chorar o palhaço que anuncia sua morte.


A rosa murcha agoniza no madeiro do caixão sem vida e sem cor, não mais florescerá.


Eu nasci em pecado e em pecado fui concebida. Haverá Deus?


As lágrimas não caem e não param de cair... a tristeza perpétua que acompanha todos, teve medo daquela triste agonia e deixou a menina só, em seu buraco escuro e úmido...


Perdoa-me Deus! Sinto o vazio! És tu?


No outono, na pior das estações, onde não há esperança, só a espera do tênue inverno, as multidões em círculo perambulam em sua volta, apontam para a triste menina.


Deus perdoa-me meu cadáver que plantei no ano passado em seu jardim não brotou.


Haverá? Deuus!?


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Palavras Aladas!

Palavras são entes misteriosos. Há palavras que são domésticas, ou facilmente domesticadas, no entanto há palavras que são seres ferozes, criaturas aladas, que não são afeitas a gaiolas.

Uma das maiores ilusões que há no mundo em relação às palavras, é pensar que elas são símbolos ou sinais que representam a realidade. As relações entre realidade e as palavras são muito mais complexas do que isso. A realidade que conhecemos não seria a mesma se não fossem as palavras. As palavras contribuem com a construção disso que chamamos de realidade. Percebemos o mundo usando a mediação das palavras.

Na escola não aprendemos assim, na escola aprendemos conceitos. Conceitos são tentativas de aprisionar as palavras. O conceito é uma cerca de palavras que tenta delimitar, definir o espaço daquela palavra. Mas a verdade da palavra não está nos conceitos, está no uso. As palavras são mais que seus conceitos.

Os textos sagrados traz uma característica importante das palavras. Em Genesis 1 por exemplo a Palavra tem o poder de criar mundos, criar realidades. “E disse Deus: ‘Haja luz.’ E houve luz.”

Certa vez levei uma menina que gostava para comer num restaurante desses que não fizeram pensando em pessoas como eu. Para impressioná-la pedi uma comida dessas que tem nome estranho. Ela me acompanhou no pedido. O prato estava uma delícia, o sabor, o aroma agradabilíssimo e belíssimo aos olhos, perfeito. Mas alegria de pobre não dura muito. Ela gostou tanto que queria saber o nome, o que era que ela estava comendo. O maldito garçon disse: Miolo de macaco! Era como se instantaneamente aquilo que era gostoso e agradável se transformasse em algo repulsivo. Ela não agüentou muito! Foi ao banheiro vomitar! Duas palavras, e meu jantar foi destruído.

Duas pessoas estavam conversando no MSN. Papo agradável, conversa interessante que fez bem as duas, isso só aconteceu porque uma palavra foi escondida, um nome não foi citado, se ele surgisse tudo desabaria. Nomes são prisões. Meu nome é uma prisão que carregarei por toda a vida, todas as vezes que ele é invocado, traz consigo uma representação de mim, esse algo que não sou eu, que as vezes faz bem, mas que as vezes incomoda.

A palavra “buraco” poucos dias atrás não representava muita coisa para mim, apenas uma palavra que ouvia repetidas vezes nos noticiários locais, mas pode ficar certo que não mais vou esquecê-la. Experiência traumatizante ser emburacado!

Trabalhei com os jovens da minha igreja e nomeamos o projeto de Juventude Alternativa: Jovens Santos e Revolucionários. Essa palavra “revolucionários”, me trouxe inúmeros problemas, criou na mente dos jovens um desejo por transformações e medo na mente dos outros irmãos da igreja. "Sabiamente" o pastor, mesmo vendo que o trabalho ia bem, após um ano, acabou com o ministério.

Assim como no uso das palavras nós as modificamos continuamente essas mesmas palavras nos modificam, nos transformam.

Minha amiga Panmelie diria: "Simmmmmm!!! Pra que serve isso?" Serve pra muitaaa coisa, muita mesmo.
Só uma coisa pra o post não ficar grande...
A palavra "Deus" por exemplo, é um nome que tenta representar algo, mas a palavra não é esse algo, nem o nome Iahveh. Cada pessoa que pronuncia esse nome traz em sua mente uma representação criada a partir de suas experiencias, ogo isso quer dizer que quando eu falo "Deus", talvez não esteja falando a mesma coisa que você fala quando diz "Deus". Toda tentativa de conceituar ou definir Deus é uma redução... 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Nascimento da Sabedoria! *

Estava orando essa semana quando algo surpreendente aconteceu comigo, uma força supranatural me envolveu. Fiquei com medo. Comecei a ficar desesperado, foi aí que um silêncio manso vindo dos céus me acalmou... Quando percebi estava eu sendo transportado para o alto e meus olhos foram abertos... Eu vi o mundo e vi os céus!! O mundo já não era o mesmo, lhe faltava algo. Eu vi a coragem do tigre, vi a astúcia e a agilidade da águia, vi a força do urso, o mistério do mar. Eu vi o vento. Eu vi o tempo... Mas estava claro que faltava algo, procurei-a e não achei, faltava a sabedoria. O que é a força sem sabedoria, se não estupidez. Agilidade sem sabedoria não passa de afobação. Sem sabedoria não há como sentir o sabor da vida e o tempo torna-se sinônimo de morte.

Olhei para o lado e vi que os céus estavam agitados, todos os deuses só falavam em uma coisa, o herói Mysterium que estava na terra. Há milhares de anos os deuses tinham deixado de freqüentar a Terra, por isso não havia mais heróis, que são filhos de deuses com humanos. Esse herói amou Amar, a Deusa do cuidado, filha de Cronos e Afrodite. Ninguém sabia ao certo quem era o pai de Mysterium, uns diziam que era Dionisius, vulgo Baco, mas a maioria acreditava que ele era filho de Poseidon, pois quem olhava nos seus olhos via o mar: infinitude e mistério.

Muitos estavam ansiosos por saber se ela iria nascer. Muitos diziam que havia chances, por Mysterium ser filho de Poseidon, mas os antigos sabiam que a sabedoria tem por matriz a Loucura, e nasce juntamente com o desejo de saborear a vida, assim somente Mysterium sendo filho de Dionisio haveria possibilidades.

A Sabedoria sobre a Terra traria com ela a paz. E nos ensinaria a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Traria a simplicidade e o desejo de ser simples. Os humanos voltariam a conhecer a si mesmos. E passariam a enxergar e ouvir os outros, aqueles que são diferentes de nós.

Sophia nasceu, mas os Deuses invejaram os humanos e a levaram. Neste momento ela está nos braços de Deus. Mas os poucos momentos que por aqui esteve Sophia nos deixou a esperança. Esperamos que Sophia ensine ao Deus todo poderoso a arte de ser simples, e o ensine a saborear a vida. Que no dia do Juízo Sophia, a sabedoria, o faça esquecer essa coisa de câmara de torturas e receba a todos com uma grande festa, pois ao lado da sabedoria os seres-(des)humanos serão humanizados e até os Deuses se tornarão Deuses melhores.

(*) Texto escrito em homenagem a Sophia, polêmica como o pai, passou por aqui como o vento.