domingo, 22 de maio de 2011

Um mundo em Preto e Branco

Quem me dera um mundo livre de todo mal
Onde todos, e cada um, fossemos iguais.
Quem me dera se todos os caminhos fossem apenas um.
Onde a verdade fosse percebida e interiorizada sem questionamentos.
No mundo inteiro imperaria uma única fé: A fé cristã.
Quem me dera se os países se curvassem diante da Democracia Ocidental.
Onde o governo é de todos e para todos.
E que o terrorismo islâmico e as ditaduras fossem dizimadas.

Quem me dera um mundo com apenas um Deus. Senhor de tudo e de todos.
Queria que você viesse comigo e contemplasse um mundo sem homossexuais. Sem coloridos.
Onde toda confusão fosse banida. Sem bebidas, sem orgias, sem festas...
Você pode ver? O bem imperaria sobre o mal, o destruiria...
Não haveria opiniões porque todos conheceriam verdades absolutas.
Quem me dera um mundo com apenas uma cor: o branco e o preto.
Só haveria uma forma de amar...  Uma forma de ver...
Apenas uma forma de sorrir.
Mundo de Obamas sem Osamas, de Israel de Deus, sem Palestina.
Sem Candomblé, sem Orixás. Sem beijos roubados só concedidos.

Quem me dera um mundo sem paixões. Sem palavrões.
Os diversos temperos seriam banidos... E o sexo só papai talvez mamãe.
A família seria o centro balizador desta sociedade. E as mulheres, suas guardiãs.
Você pode enxergar? Um mundo sem pecados sem transgressões
Sem erros ou falhas... Mundo sem masturbação...

Sem gozo... Só procriação... Preto e Branco...
Quem me dera um mundo livre de todo esse mal...


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* Imagem do filme Pleasantville; a vida em preto e branco...

domingo, 15 de maio de 2011

HOMOSSEXUALIDADE E LIBERTAÇÃO HUMANA

Por Marcos Monteiro

O momento apaixonante merece um texto apaixonado, mas somente os poetas tem a habilidade de sugerir vertigem e volúpia pelo entrelaçar das palavras. Como não sou poeta celebro em texto comum a decisão do Supremo de legalizar o legítimo direito dos homossexuais de constituir amor e família. Desses instantes que fazem jus a festa, dança e feriado nacional. Caíram as cercas da praça, mas o povo desacostumado não consegue invadir o espaço para deitar na grama, girar na roda gigante ou dançar ciranda.

A unanimidade da decisão nos surpreendeu, embora o nosso tribunal maior apenas reconheça um direito já exercido por mais de dez milhões de brasileiros. Maneiras de reconhecer a humanidade de minorias. Ser humano é ir se estabelecendo na diversidade e na inconclusão. Os diversos modos de se amar, a exuberância de uma sexualidade que se estabelece sem respeito a regras e manuais, são expressões legítimas dessas diferenças que transformam a paisagem humana em poesia e beleza.

Homossexualidade é palavra que tenta definir o indefinível, pretendendo retirar do ser humano parte de sua humanidade. Faz pouco tempo, comemorava em um restaurante um aniversário, na companhia de amigos e amigas, a maioria rotulada como gays, lésbicas, ou palavras semelhantes. A comida e a bebida eram comuns e a conversa girava sobre história, poesia, literatura, futebol, religião, sexo. Cardápio variado de comida e de conversa, duas coisas do cotidiano de todos os seres humanos.

Ter direito ao pão de cada dia garante a sobrevivência, o direito ao sexo de todo dia ou de vez em quando transforma a sobrevivência em poema. O sexo é esse momento de ultrapassar limites, em que o corpo se propõe como lugar de mistério e de arrebatamento. Vivido amorosamente acrescenta à volúpia do carinho a profundidade da doação livre e mútua, entre dois seres humanos livres e disponíveis. O direito legítimo à carícia e ao amor é agora legalizado como pertencente a todo ser humano, sem a necessidade de rótulos.

Sem as cantigas das comemorações, o ruído dos protestos são feitos em nome da família e da religião. Novamente a questão das definições. Se família significa entre outras coisas o espaço para o crescimento mútuo de seres humanos e para o cuidado e educação de crianças, esses espaços são diversos, com diversos atores atuando em diversos papéis. Crianças criadas por pais ou mães do mesmo sexo não se tornaram necessariamente frustradas, drogadas ou marginais, nem mesmo homossexuais, terror de muitos.

Alguns religiosos se pronunciaram a favor da união estável mas não do casamento, prerrogativa das igrejas. Na sutileza semântica, a complicação lingüística. Carícias e palavras não podem ser patenteadas, a pretensão apenas convida à continuidade da luta. As religiões e as igrejas não são concessionárias das cerimônias nem proprietárias de Deus. O direito de crer (incluindo o direito de não crer) e o direito de amar são prerrogativas tão humanas quanto o direito de comer e de conversar.

Para os que pertencem ao campo religioso, como pertenço, a decisão do Supremo é oportunidade de aprofundamento, de busca de compreensão e de ressignificação. Livros, artigos, pesquisas, estudos densos sobre a sexualidade humana já são abundantes. Acima disso, o ser humano concreto, pessoas que vivem amor e sexualidade de modos diversos. Muitos que experimentaram sentimentos de alegria e de libertação quando assumiram a sua maneira de amar; muitos que não se sentem abandonados por Deus. Pelo contrário, diante da maldição de todos, somente contam com o sentimento da compreensão Dele, no espaço indevassável de sua interioridade.

Diante de tudo isso, podemos assumir vociferantes o papel de arautos da culpa, da vergonha e do remorso, ou celebrarmos a boa notícia (evangelho) da libertação e nos juntarmos à alegria de milhões de brasileiros e brasileiras que se sentiram acolhidos e protegidos pela lei, pela primeira vez na história. Por estranha e feliz coincidência este texto está sendo postado em um novo e diferente treze de maio.

Outros textos de Marcos em seu Blog: http://madoniram.blogspot.com

terça-feira, 3 de maio de 2011

DEUS sem o DIABO - Morre Osama Bin Laden

O mundo Ocidental triunfa sobre as hostes do mal. Morre Osama Bin Laden.
As cenas ridículas de estadunidenses alienados gritando U.S.A  na frente da Casa Branca comemorando a Morte de Bin Laden,  se repetiram durante todo o dia.

Mas as outras mensagens aquelas que não são ditas, mas se dizem, aquelas que costuram os discursos, que estão por trás destes, nas entrelinhas essas são interessantes.

Os Estados Unidos atestam sua vocação para matar, e não poderia ser diferente. No mundo Ocidental os maiores lucros, que equilibram a delicada economia vêm de crimes (narcotráfico) e das indústrias da morte (armas). Nunca houve tanta concentração de recursos econômicos e conhecimento científicos e tecnológicos dedicados a produção da morte.

As fábricas de armas estadunidenses só não trabalham mais que as fabricas midiáticas de produção de inimigos.

O mundo Ocidental que o tal Bin Laden tanto odiava luta pela paz enquanto os radicais islâmicos terroristas promovem a Guerra. Os números mostram bem isso: [1]Para cada dólar que as Nações Unidas gastam em suas missões de paz, o ocidente emprega 2 mil dólares em gastos de guerra, destinados ao sacrifício de seres humanos em caçadas onde o caçador e a presa são da mesma espécie.

As últimas notícias do assassinato de Bin Ladem e sua família no Paquistão trouxe à memória dos estadunidenses o ato terrorista de 11 de setembro q quase 3 mil pessoas em sua maioria civis foram mortos. A nação alienada certamente não consegue lembrar do ato de Terrorismo em que 60 mil civis Iraquianos foram assassinados, famílias inteiras dizimadas,  mortos na guerrinha de Bush no Iraque, para procurar algo que não existia.

Na guerra do Afeganistão, aquela que começou para caçar Bin Laden e que continua até o momento, mesmo depois da morte do Demônio, só em 2010 foram 2777 civis afegãos mortos.
O ex inimigo numero 1 do povo da Guera, foi também o homem q sozinho conseguirá decidir dois pleitos eleitorais da poderosa nação. Reelegeu Bush em 2004 e garantiu a reeleição de Obama em 2012.

E assim continua a trajetória da grande Nação Mundial promovendo a Paz no mundo, invadindo países, matando pessoas, vendendo armas, fabricando Guerras.
Um dia chegaremos lá.

Afinal de contas... Como disse recentemente um amigo, como o mundo não tem mais jeito, cada um garanta sua vida de prazer, e o resto...
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* [1] Números retirados do livro: "De Pernas pro ar" de Galeano.
 [2] Os outros números são de arquivos oficiais dos EUA divulgados no site http://www.wikileaks.ch/