Errante, sem nada carregar, nem mesmo o medo de me perder.
Num mundo de barulhos e pressa, vi desejos.
Vi o mar... No mar da vida, todos nadam sedentos por novas propriedades.
Mas logo a nova propriedade, se tornará velha, e virá o enfado e novos desejos...
Desejamos aquilo que está fora do alcance das nossas mãos.
Não desejamos o que já está no bolso.
Já me pertence, já é meu... A ilusão da posse trapaceia.
Só desejamos possuir aquilo que ainda não temos.
Nietzsche perguntou, não respondeu. “Não será o amor uma ânsia por nova propriedade?”
Amor? ...ou posse? Amor e posse?
O amor carece de desejo, de paixão...
Se o outro não é nossa propriedade, pode continuar despertando desejo.
Se o outro não é propriedade, o outro é também sujeito.
O desejo faz o amor se transformar em árvore frondosa, a posse o transforma em mato seco.
Eu vi... um campo de mato seco, por lá ninguém desejava passar, nem mesmo aqueles que fizeram das árvores, mato..
Eu vi... o aconchego, os frutos e a sombra de uma bela árvore frondosa.
"Enquanto tiveres um desejo, terás uma razão para viver. A satisfação é a morte." Bernad Shaw
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Para ter um casamento feliz
O que eu faço para ter um casamento feliz? Essa foi a pergunta que minha amiga, com olhos em lágrimas me fez. Naquele momento de angústia e tristeza entendi que deveria apenas ouvi-la, mas esta pergunta me perseguiu por vários dias...
O casamento nem sempre foi assim como o vemos hoje. Nos textos bíblicos, por exemplo, de forte cultura patriarcal, a mulher era mais uma propriedade do marido, o casamento estava mais ligado a questões sociais e econômicas do que a questões sentimentais ou amorosas. O grande sentido do casamento era gerar filhos homens, as mulheres inférteis eram renegadas, tidas como imprestáveis. Vários são os textos que apontam para esta condição. No livro de Genesis há vários exemplos. (Os moralistas, que usam a bíblia como fonte de leis e normas para o casamento, deveriam ver isso também.)
Até a Idade Média, em várias culturas ocidentais, o casamento era essencialmente um ato de aquisição: o noivo "adquiria" a noiva. Na maioria das vezes, o casamento era arranjado pelos pais do casal, transformando-se numa união forçada, prevalecendo a dominação do homem sobre a mulher.
O casamento chega até nós com grandes forças institucionais. A instituição deve ser preservada e cuidada mais do que a própria relação. A relação pode até ser desfeita, mas a instituição deve permanecer. Machado de Assis denuncia a questão quando traz a celebre frase: "Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."
Vale ressaltar que o casamento permanece como uma instituição com fortes características patriarcais. Sendo assim um espaço de grande fragilidade para a mulher, que numa sociedade machista acaba entrando numa instituição que reforça ainda mais esses valores.
Não são poucos os casos em que os homens maltratam as mulheres na relação, mas estas são sempre desafiadas a cuidar do casamento, a preservar o casamento, não desistir, orar pelo marido, ter fé em Deus porque Ele irá restaurar a família.
Todas estas questões maltratam muito a relação, que poderia e deveria ser uma relação saudável, e faz dela quase uma impossibilidade num casamento.
O casamento é uma decisão de vida que pode e deve contribuir para vivermos a vida com mais intensidade, viver bem a vida, partilhando nossas alegrias e tristezas com aquela pessoa que escolhemos para dividi-la. No entanto o peso da Instituição, a rotina, a cultra machista e pariarcal, o ideal de amor romântico destroem estas possibilidades...
O casamento é uma decisão de vida que pode e deve contribuir para vivermos a vida com mais intensidade, viver bem a vida, partilhando nossas alegrias e tristezas com aquela pessoa que escolhemos para dividi-la. No entanto o peso da Instituição, a rotina, a cultra machista e pariarcal, o ideal de amor romântico destroem estas possibilidades...
Daí para muitos:
O casamento é uma estupidez humana
O casamento põe fim a breves loucuras - sendo uma longa estupidez.( Friedrich Nietzsche )
De pessoas q não pensam
Eu às vezes penso em casar – aí penso mais um pouco. (Noel Coward)
É uma troca mal sucedida
Quando uma garota se casa, ela troca a atenção de muitos homens pela desatenção de um. (Helen Rowland)
Fruto do medo
O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos (Cyril Connolly)
E só traz novas obrigações
Casar-se significa duplicar as suas obrigações e reduzir a metade dos seus direitos. (Schopenhauer)
Dito isto, o casamento que tem chances de ser bem sucedido é o que é fruto de uma aliança de vida, que prioriza a relação e não a instituição, onde cada um sai de si mesmo, mas sem negar a si mesmo, para caminhar em direção ao outro. Entrega mútua onde um traz a luz ao que existe de potência no outro para que cada um seja o melhor que pode ser, não para o outro, mas o melhor para a vida e o melhor na vida.
Só tem chances onde o casamento não é para sempre, cada um deve conquistar sua companheira todos os dias para manter a relação. Onde o casamento está a serviço da relação e não o inverso.
Mas tudo isso merece um outro post...
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