sábado, 24 de dezembro de 2011

Berço de Ouro Bacia de Palha; Um outro Natal


Estranhos ritos celebram um perigoso dia.  Em um mundo onde as pessoas buscam posições, curiosamente festejamos o dia em que aquele que era sobre todos ousou nascer como aqueles que eram os menores de todos. Paradoxalmente, o Rei Deus não nasceu em berço de ouro, mas em uma bacia de palha.

O perigoso dia, hoje celebrado por muitos (quem tem pra gastar), foi esperado com terror e medo pelo poderoso Herodes. Inacreditavelmente ele temia que o nascimento de uma criança ameaçasse a sua posição. Só tem medo de perder sua posição de poder quem está nestes espaços, e para preservá-la, até hoje, crianças são mortas. Faz um ano que para garantir apoios políticos e a manutenção da posição do seu partido, a presidente Dilma trocou o projeto que enchia de vida o semiárido pelas cisternas de plástico de gordos empresários. Algumas crianças pobres talvez sobrevivam às opções políticas do PT.

O Poderoso Deus percebeu que enquanto lutava para manter a sua posição com leis, mandamentos, sacrifícios, dilúvios e chuva de enxofre, as pessoas continuariam morrendo, mortas por Ele, ou por aqueles que nasciam em berços de ouro. Logo viu que para salvar a sua criação e salvar a si mesmo dos ônus do poder seria necessário nascer outro, e assim fez. Deus nasceu outro, nasceu desapoderado, criança frágil, humana. Nasceu em uma bacia de palha.
O nascimento do frágil e desapoderado Deus é perigoso porque empodera os pequeninos, dá esperança aos fracos, ameaça qualquer poder estabelecido, desautoriza as pretensões dos nascidos em berços de ouro ou dos que gastam os seus dias preservando e disputando posições de entrarem no seu Reino, mas fácil seria um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

Enquanto o Deus Mamom mascarar o Natal ele continuará esvaziado de sentido. Enquanto não retirarmos as vendas que nos cegam - o individualismo, o consumismo, a sede por posição e poder, o natal não será um dia perigoso para a política, para a religião que aliena e imbeciliza seus fiéis, para os ricos cevados que nos empurram suas cisternas de plásticos que se deformam e deformam projetos e sonhos de um semiárido menos injusto.

O dia do Natal é a celebração da chama de Deus no mundo, luz que ilumina a realidade, fogo que aquece nossos corações com a esperança de um mundo melhor. Chama  Sagrada que enche de cor e alegra nossos caminhos.