terça-feira, 9 de novembro de 2010

Para ter um casamento feliz

O que eu faço para ter um casamento feliz? Essa foi a pergunta que minha amiga, com olhos em lágrimas me fez. Naquele momento de angústia e tristeza entendi que deveria apenas ouvi-la, mas esta pergunta me perseguiu por vários dias...

O casamento nem sempre foi assim como o vemos hoje. Nos textos bíblicos, por exemplo, de forte cultura patriarcal, a mulher era mais uma propriedade do marido, o casamento estava mais ligado a questões sociais e econômicas do que a questões sentimentais ou amorosas. O grande sentido do casamento era gerar filhos homens, as mulheres inférteis eram renegadas, tidas como imprestáveis. Vários são os textos que apontam para esta condição. No livro de Genesis há vários exemplos. (Os moralistas, que usam a bíblia como fonte de leis e normas para o casamento, deveriam ver isso também.)

Até a Idade Média, em várias culturas ocidentais, o casamento era essencialmente um ato de aquisição: o noivo "adquiria" a noiva. Na maioria das vezes, o casamento era arranjado pelos pais do casal, transformando-se numa união forçada, prevalecendo a dominação do homem sobre a mulher.

O casamento chega até nós com grandes forças institucionais. A instituição deve ser preservada e cuidada mais do que a própria relação. A relação pode até ser desfeita, mas a instituição deve permanecer. Machado de Assis denuncia a questão quando traz a celebre frase: "Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."

Vale ressaltar que o casamento permanece como uma instituição com fortes características patriarcais. Sendo assim um espaço de grande fragilidade para a mulher, que numa sociedade machista acaba entrando numa instituição que reforça ainda mais esses valores.

Não são poucos os casos em que os homens maltratam as mulheres na relação, mas estas são sempre desafiadas a cuidar do casamento, a preservar o casamento, não desistir, orar pelo marido, ter fé em Deus porque Ele irá restaurar a família.

Todas estas questões maltratam muito a relação, que poderia e deveria ser uma relação saudável, e faz dela quase uma impossibilidade num casamento.
O casamento é uma decisão de vida que pode e deve contribuir para vivermos a vida com mais intensidade, viver bem a vida, partilhando nossas alegrias e tristezas com aquela pessoa que escolhemos para dividi-la. No entanto o peso da Instituição, a rotina, a cultra machista e pariarcal, o ideal de amor romântico destroem estas possibilidades... 

Daí para muitos:

O casamento é uma estupidez humana

O casamento põe fim a breves loucuras - sendo uma longa estupidez.( Friedrich Nietzsche )

De pessoas q não pensam

Eu às vezes penso em casar – aí penso mais um pouco. (Noel Coward)

É uma troca mal sucedida

Quando uma garota se casa, ela troca a atenção de muitos homens pela desatenção de um. (Helen Rowland)

Fruto do medo

O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos (Cyril Connolly)

E só traz novas obrigações

Casar-se significa duplicar as suas obrigações e reduzir a metade dos seus direitos. (Schopenhauer)

Dito isto, o casamento que tem chances de ser bem sucedido é o que é fruto de uma aliança de vida, que prioriza a relação e não a instituição, onde cada um sai de si mesmo, mas sem negar a si mesmo, para caminhar em direção ao outro. Entrega mútua onde um traz a luz ao que existe de potência no outro para que cada um seja o melhor que pode ser, não para o outro, mas o melhor para a vida e o melhor na vida.

Só tem chances onde o casamento não é para sempre, cada um deve conquistar sua companheira todos os dias para manter a relação. Onde o casamento está a serviço da relação e não o inverso.

Mas tudo isso merece um outro post...

11 comentários:

Ana disse...

Muito bom texto Marquinhos!!!

Anísia Neta disse...

Gostei mto do seu texto!! A conclusão é excelente!!! Mas sobre esse assunto ainda não tenho condições nenhuma de escrever alguma coisa... Passei mesmo só pra ressaltar que concordo perfeitamente com seus dois últimos parágrafos, especialmente!!! Vlw!!!

Elisângela disse...

Marquinhos mais uma vez vc foi excelente. Ainda não casei mas concordo e muito com vc. Parabéns!

Daise Melo disse...

Falando de casório e concordando com os outros comentários,não entendo muito (ainda) de casamento porém seu texto coloca em evidencia tudo que nos é bem visivel hoje sobre tal,gostei muito da sua conclusão e dei essa passadinha rapida por aqui pra lembrar que te admiro e que não esqueci teu liiivro! rs beijo Pr. :D

Aníssima Duarte* disse...

Como sempre venho aqui para ler e apreciar e saio aluna!
Perfeita forma de condução do tema, ideias ótimas e melhor, tudo faz mais que sentido.
Tenho é medo dessa instituição!
:0
bEIJOSS e te amoo amigoo!

Messias Brito disse...

Talvez para q as relações sobrevivam precisemos impor uma moratória aos casamentos! Palavra forte, pejada de uma série de normas, interditos, proibições, compromissos e inúmeras sanções e obrigações sociais que reúnem um potencial destrutivo imenso para a relação.
Por outro lado, partilhar a vida, experimentar e experienciar com, ser com o outro (a outra), contribuir para o desenvolvimento das potencialidades, dos sonhos e das aspirações do companheiro ou companheira, ainda continua sendo um belo desafio que vale à pena se lançar, porém sem preocupações sobre se vai "dar certo" ou não. "Amar é ter um pássaro pousado no dedo";"Não há promessas para amarrar o futuro, só confissões de amor para celebrar o presente!"

Léo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Léo disse...

Meu brother, perfeito esse diagnóstico. rs... O engraçado (sem querer ser cético) é que quando vc é convidado pra um enforcamento op's, quiz dizer casamento que tem essas características, mesmo diante da felicidade dos noivos e familiares sentimos no ar por parte dos mais realistas que estamos diante da celebração da morte da identidade pessoal, dos direitos, do espaço e principalmente do amor. Pessoalmente fico meio desconfortável nessas situações não sei se dou parabéns ou meus pêsames as vitimas desse latrocínio dos mais belos sentimentos que podem haver entre duas pessoas, e pior é que os patrocinadores dessa aberração são a "igreja" com seus pastores que sacrificam potenciais de felicidade em nome da instituição. Eu não agüento... as vezes nem consigo ir para o local escolhido para dar os comprimentos junto com os comes e bebe. Meu espírito entra em Luto e perco o apetite. É mais forte que eu. Perdoem-me o desabafo, é que tenho muitos amigos que foram vitimas disso. Eu mesmo em parte fui, mas deu pra acordar a tempo, e buscar priorizar o amor capaz de sobreviver a tudo isso. Por favor, não me achem pessimista. Eu creio no amor... Viva o amor, viva a vida!!! uohuuuuuuu!!!

P.S- Marquinhos Carniça vc é o caraaaaaaaaaaa!!!

Abraço mano!!!

Dey disse...

Percepção perfeita meu pastor.
Diz-me uma coisa: vc já foi casado? kkkkkkkkkkk...

Muito bom seu texto, ele transcorre a realidade de forma intensa...
Se alguém tem dúvida do que está escrito no texto, então se case, dentro dos moldes tradicionais do casamento, e conheça o inferno!

Não quero parecer um cético com o casamento, ou alguém que se frustrou! Não é nada disso. O q penso de fato é que o casamento se transformou em uma máquina que criar pessoas com sérios problemas emocionais...
Mas acredito ainda no casamento pautado no amor. Não no "amor eterno", pois ele não existe, mas no amor que renasce dia após dia.
Casamento é casa de felicidade!
Casamento é lugar de refrigério!
Casamento é lugar de aprender sobre a vida e ser feliz!

Anônimo disse...
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Anabel Pascoal disse...

Descobri que o que mais almejo n passa de uma instituição! kkkk,

Quero agora um casamento diário...