terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mudar é Viver; A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Lendo o blog de meu irmão Messias, passando os olhos pelas sempre sábias e ávidas palavras, não houve como não lembrar de Quincas.
Joaquim Soares da Cunha aprendeu vivendo a sua morte que só poderia voltar a viver se houvesse uma mudança. Um dia despertou do seu sono dogmático e resolveu mudar. E que mudança!


Quincas deve ter lido as palavras do evangelho quando relata um morto-vivo perguntando a Jesus o que era preciso fazer para viver. E Jesus deu o diagnóstico: _Amigão, seu caso é grave, só nascendo de novo. Joaquim, com a coragem que a maioria de nós não tem, morreu. Morreu para que pudesse viver. Não barganhou com a morte, morreu mesmo, para que pudesse ter vida plena. Nasceu Quincas Berro Dágua... o "Rei dos vagabundos da Bahia", o "senador das gafieiras", o "patriarca da zona do baixo meretrício", personagem que se tornou após sair de casa chamando mulher e filha de "jararacas".


A Sociedade do capital é um grande sepulcro, para os pobres que lutam para sobreviver, e para a classe média, essa que perde a vida tentando ascender socialmente. Quincas morreu para esta sociedade, para suas normas e para sua moral.


A força desta sociedade da morte era tão grande que quando os parentes encontraram o defunto, que estava mais vivo do que eles, trataram de fazer a única coisa que sabiam, matar. Rapidamente planejaram a morte do defunto.

Quincas Berro Dágua já defunto conseguiu morrer novamente para mais do que nunca permanecer vivo na memória e nas recordações de todos, Morreu como marinheiro que se entrega aos braços do mar, foi habitar no infinito.


Compreendo aquelas pessoas que nunca viveram e por não saberem o que é isso não têm chances de rejeitar a morte para tentar viver, mas não consigo compreender pessoas que sabem que estão morrendo, mas não conseguem se desprender da confortável morte. Preferem ficar ao lado das serpentes, das jararacas, do que se aventurar na vida que depende sempre que as mudanças sejam enfrentadas, assumidas e saboreadas.

3 comentários:

Aníssima Duarte* disse...

Lembrei-me de Nietzsche..." é preciso morrer na hora certa!"
Poxa, meu amigo, qta significãncia tem seu texto, UAU! E qta verdade também, pq de fato muitos de nós preferimos a confortável e contida morte...Como já sei q irei morrer, quero inovar, é necessária sabedoria até para morrer...E sei q a morte aí se aplica em vários sentidos...Bjos pra vc e sucesso, um dos melhores textos q já lii!

Anísia Neta disse...

Adorei o filme!! Adooooooorei seu post!!!Toda pessoa tem mesmo que passar por algumas mortes pra viver!! A morte da sociedade e da moral é a primeira. Depois disso tem a morte física que todos vamos passar um dia, mas só vale ir de vez pro infinito quando estamos preparados pra isso. Sem medo, sem nostalgia da vida boa, sem remorso do que fez... A terceira morte é aquela que quando chega a gente se entrega, porque tem a sensação de que viveu tudo o que tiha pra viver e é feliz por isso!! A vida só se dá pra quem se deu!!! E não há nada melhor do que saber viver... pra saber morrer...
Um beijo Nego!!!

Dayane Carneiro disse...

O que dizer sobre um texto seu? Ainda mais tão cheio de elogios ao maior símbolo da política brasileira?
PERFEITO! Muito bem amigo, quero seu livro... Trate de começar a escrevê-lo! Beijos.