terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Oração de Outono

Tarde escura de outono triste, fria.


O sol gelado, coberto pelas nuvens, não percebe o olhar distante da menina sentada na calçada.


Órfã, pés descalços sem camisa, cabelo desarrumado e sujo.


A menina olha triste para o céu e ora:


Deus perdoa-me! Haverá Deus para mim?


Exala o mau cheiro da alegria, que já pútrida faz chorar o palhaço que anuncia sua morte.


A rosa murcha agoniza no madeiro do caixão sem vida e sem cor, não mais florescerá.


Eu nasci em pecado e em pecado fui concebida. Haverá Deus?


As lágrimas não caem e não param de cair... a tristeza perpétua que acompanha todos, teve medo daquela triste agonia e deixou a menina só, em seu buraco escuro e úmido...


Perdoa-me Deus! Sinto o vazio! És tu?


No outono, na pior das estações, onde não há esperança, só a espera do tênue inverno, as multidões em círculo perambulam em sua volta, apontam para a triste menina.


Deus perdoa-me meu cadáver que plantei no ano passado em seu jardim não brotou.


Haverá? Deuus!?


Um comentário:

Ana Paula Duarte disse...

Essa postagem é de fato trsite, demasiadamente triste.
Mas é tão linda, sua lírica, poética, tudo!
Leva a mais profunda reflexão e eu amei a forma sensível com q vc dirigiu as palavras!